segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Frase do dia

"Confiar é um ato quase heróico, pois é difícil lidar com nossa impotência diante de decepções e desafios. O melhor a fazer é confiar. A confiança é nossa dádiva que devolvemos a Deus, e ele a considera tão maravilhosa que Jesus morreu por amor a ela" 
Brennan Manning

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Pensamento do Dia

"Desejo que você
Não tenha medo da vida, tenha medo de não vivê-la.
Não há céu sem tempestades, nem caminhos sem acidentes.
Só é digno do pódio quem usa as derrotas para alcançá-lo.
Só é digno da sabedoria quem usa as lágrimas para irrigá-la.
Os frágeis usam a força; os fortes, a inteligência.
Seja um sonhador, mas una seus sonhos com disciplina,
Pois sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas.
Seja um debatedor de ideias. Lute pelo que você ama."

Augusto Cury

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

This is your life!!!

Tradução:

“Essa é sua vida. Faça o que ama e faça isso frequentemente. Se você não gosta de algo, mude. Se você não gosta do seu emprego, saia. Se você não tem tempo suficiente, pare de assistir TV. Se você está procurando pelo amor da sua vida, pare; ele estará esperando por você quando começar a fazer as coisas que ama. Pare de analisar demais, todas as emoções tem sua beleza. A vida é simples. Quando você estiver comendo, aproveite até a última garfada. Abra sua mente, braços e coração para coisas e pessoas novas. Nós nos unimos em nossas diferenças. Pergunte à próxima pessoa que encontrar qual sua paixão e compartihe seu sonho com ela. Viaje com frequência; perder-se ajudará a encontrar-se. Algumas oportunidades só aparecem uma vez, aproveite-as. A vida é feita de encontros entre pessoas e criações em conjunto. Então saia e comece a criar. A vida é curta. Viva seu sonho e vista sua paixão.”

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Música da Semana

Essa não é apenas a Música da Semana, é sobretudo a música da minha vida! Nenhuma marca tanto a fase que estou passando. Enjoy it!


A Carta 
(Djavan)

Não vá levar tudo tão a sério
Sentindo que dá, deixa correr
Se souber confiar no seu critério
Nada a temer
Não vá levar tudo tão na boa
Brigue para obter o melhor
Se errar por amor Deus abençoa
Seja você

No que sua crença vacilou
A flor da dúvida se abriu
Vou ler a carta que o Biel mandou
Pra você, lá do Brasil:

"Eles me disseram tanta asneira, disseram só besteira
Feito todo mundo diz.
Eles me disseram que a coleira e um prato de ração
Era tudo o que um cão sempre quis
Eles me trouxeram a ratoeira com um queijo de primeira
Que me, que me pegou pelo nariz
Me deram uma gaiola como casa, amarraram minhas asas
E disseram para eu ser feliz

Mas como eu posso ser feliz num poleiro?
Como eu posso ser feliz sem pular ?
Mas como eu posso ser feliz num viveiro,
Se ninguém pode ser feliz sem voar?

Ah, segurei o meu pranto para transformar em canto
E para meu espanto minha voz desfez os nós
Que me apertavam tanto
E já sem a corda no pescoço, sem as grades na janela
E sem o peso das algemas na mão
Eu encontrei a chave dessa cela
Devorei o meu problema e engoli a solução
Ah, se todo o mundo pudesse saber
Como é fácil viver fora dessa prisão
E descobrisse que a tristeza tem fim
E a felicidade pode ser simples como um aperto de mão

É esse o vírus que eu sugiro que você contraia
Na procura pela cura da loucura,
Quem tiver cabeça dura vai morrer na praia."

vídeo da Semana

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Semana Grandes Poetas - Carlos Drummond de Andrade

A HORA DO CANSAÇO (Carlos Drummond de Andrade)

As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.

Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.

Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nós cansamos, por um outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.

Do sonho de eterno fica esse gosto ocre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Semana Grandes Poetas - Vinícius de Moraes

SONETO DE SEPARAÇÃO (Vinícius de Moraes)

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Diálogo com o mestre - V

A tragédia

(Continuo reproduzindo aqui alguns trechos de conversas com meu mestre, no período de 1982 a 1986)

- Por que existe tanta tragédia e tanta miséria no mundo?
- A tragédia e a miséria são coisas diferentes, e assuntos muito longos. Sobre qual dos dois prefere conversar?
- No momento, sobre a tragédia. Por que o homem sofre?
- Dê uma lida na Bíblia e verá o seguinte trecho: "O que é bom, vem de Ti, oh, meu Senhor. O que é mau, também vem de Ti, meu Senhor. Portanto, o que hei de temer?"
- Mesmo assim, sofremos.
- Sem dúvida. Mas leve em consideração o seguinte: de dez problemas que temos, nove são criados por nós mesmos - através da culpa, da autopunição, da autopiedade. Entretanto, de vez em quando, aparece um grande obstáculo em nosso caminho, que ali foi colocado por Deus, e que tem uma única razão. Esta razão é: nos dar uma oportunidade de mudar tudo, de caminhar adiante.

"O que é a tragédia? Uma mudança radical em nossas vidas, sempre ligada ao mesmo princípio: a perda. O sofrimento é sempre resultado de uma perda, seja de alguém ou de algo - como a saúde, a beleza ou as condições financeiras.

Quando você está diante de uma perda, não adianta tentar recuperar o que já se foi. Por outro lado, um grande espaço foi aberto em sua vida - ali está, vazio, esperando ser preenchido com algo novo. No momento da perda, por mais contraditório que pareça, você está ganhando uma grande fatia de liberdade.

Mas a maioria dos homens, diante da tragédia, preenche este espaço com dor e amargura. Não pensa jamais que existem outras maneiras de encarar o inevitável."

- Como, por exemplo?
- Em primeiro lugar, aprendendo a grande lição dos sábios: a paciência, a certeza de que tudo - bom ou mau - é provisório nesta vida. Em segundo lugar, utilizando esta súbita mudança de rumo para arriscar seus dias em novas coisas, que sempre sonhou fazer.
- Isso está claro no que se refere a coisas materiais. Mas e a morte de alguém?
- Quanto à morte, já conversamos muito, e você sabe que ela não existe para aquele que se foi - esta pessoa está desfrutando as delícias de uma transformação radical. A sensação de morte existe apenas para aquele que fica aqui. Todo ente querido, ao partir, se transforma em nosso protetor - depois de passado o período da saudade, devemos nos alegrar porque estamos mais protegidos. Da mesma maneira, um dia estaremos do outro lado, protegendo as pessoas que amamos aqui.
- E aqueles a quem odiamos...
- Exatamente o que você imagina. Ficam presos a nós pelo sentimento da amargura. Por isso Jesus disse: "Antes de ir ao templo, volta e perdoa o teu irmão." É preciso estar lavando constantemente a alma com a água do perdão.
- Voltando à tragédia...
- Existe algo que é impossível medir: a intensidade da dor. Sabemos que uma pessoa está sofrendo porque ela nos conta, mas não podemos avaliar exatamente o quanto. Muitas vezes tentamos comparar a atitude de uma pessoa diante da tragédia, e terminamos por julgá-la mais forte ou mais fraca do que realmente é. Não compare a dor alheia com nada; só quem está sofrendo sabe pelo que está passando.

"Portanto, quando a tragédia inevitável aparece, é preciso lembrar estes três pontos: aproveitar a liberdade da perda, não julgar a dor e aprender a arte da paciência. Ela vai destruir 9/10 daquilo que você é, mas o 1/10 que ficar lhe transformará numa pessoa infinitamente mais forte."


Paulo Coelho

Diálogo com o Mestre - IV

A Linguagem de Sinais

(Continuo reproduzindo aqui alguns trechos de conversas com meu mestre, no período de 1982 a 1986)

- O que é a linguagem dos sinais?

- Todo homem tem uma maneira pessoal de comunicar-se com Deus e com sua própria alma.

- Então, o homem não precisa da religião?

- As religiões são muito importantes, porque nos permitem adorar de forma coletiva, e compartilhar dos mesmos mistérios. Mas a busca espiritual é responsabilidade de cada um: se você afastar-se do seu caminho, nada vai adiantar ficar culpando o padre, o imã, o rabino, o pastor - a responsabilidade é sua. Por isso existe um alfabeto que sua alma entende, e que vai mostrando as melhores decisões em seu caminho.

- Como aprender esta linguagem?

- Como qualquer outra. Primeiro, com disciplina para educar-se a notar o sinal. Depois, com coragem para praticar a língua. Terceiro, nunca ter medo de errar enquanto pratica.

- O que faz com que a gente muitas vezes siga o sinal errado.

- Claro. Só assim aprendemos os sinais certos.

- Você podia me dar um exemplo de um sinal?

- Não. A linguagem é individual, como disse antes. Se começamos a generalizar os sinais, eles se transformam em superstição.

“Muitos mestres já cometeram o erro de usar os seus sinais para guiar seus discípulos. O que acontece é que, quando as pessoas começam sua busca espiritual, entram num mar desconhecido, e sentem-se inseguras. Então procuram agarrar-se à primeira mão que lhes é estendida - e ao fazer isso, estão deixando de lado a aventura, para tornarem-se escravas da mão que as guia.”

- Como posso ter certeza que estou diante de um sinal verdadeiro?

- Você nunca pode. Mas, em geral, se começar a enxergar este mundo além das convenções, verá que sua intuição começa a conduzi-lo em direção à melhor escolha - por mais absurda que pareça. Aos poucos, esta linguagem se incorpora a você e, embora continue errando de vez em quando, já está em paz com sua alma, e toma as decisões corretas.

Muitas vezes o sinal é mais prático do que imaginamos, e a propósito disso, vou lhe contar uma história.

Um homem sonhou certa vez com um anjo, que lhe dizia: “amanhã vai começar a chover, sua aldeia será inundada, mas você será salvo.”

Efetivamente, no dia seguinte começou a chover. Uma equipe de socorro visitou casa por casa, evacuando os habitantes, já que havia risco de inundação. Todos saíram, menos aquele homem, que dizia à defesa civil: “Eu sonhei com um anjo, e ele disse que seria salvo.”

Um dia depois, a água já cobria o primeiro andar das casas. Uma segunda equipe de socorro foi tentar resgatar o homem, que de novo se recusou a sair, alegando que tinha recebido o sinal de um anjo, e precisava mostrar sua fé ao mundo.

No terceiro dia, a situação já era crítica, e o homem estava sozinho, encarrapitado no telhado da casa - enquanto a água subia sem parar. Num esforço desesperado, uma equipe de resgate tentou mais uma vez retirá-lo dali, mas de novo ele se negou, chamando-os de demônios, gritando que queriam obrigá-lo a negar o sinal do anjo.

Pouco tempo depois, a água cobriu o telhado, e o homem morreu afogado. Como era um ótimo cristão, foi para o Céu, e encontrou São Pedro, que o convidou para entrar. O homem recusou-se, dizendo que Deus o havia enganado; tinha enviado um anjo dizendo que ele seria salvo, quando na verdade fora o único habitante da aldeia que havia morrido.

São Pedro disse que Deus não mentia, e prometeu voltar com explicações. Entrou no Paraíso e retornou meia hora depois, dizendo:

“Realmente Deus mandou um anjo para avisar-lhe que seria salvo. Mas disse que o senhor recusou, por três vezes, o socorro que Ele lhe enviou sob a forma de equipes de resgate.

Paulo Coelho 

Diálogo com o Mestre - III

O Mistério
(Continuo reproduzindo aqui alguns trechos de conversas com meu mestre, no período de 1982 a 1986)

- O que estamos fazendo nesta Terra?

- Sinceramente? Não sei. Já procurei em muitos cantos, em lugares iluminados e escuros; hoje estou convencido que ninguém sabe - apenas Deus.

- Não é uma boa resposta, para um mestre.

- É uma resposta honesta. Conheço muita gente que irá explicar-lhe em detalhes a razão da existência. Não acredite, são pessoas ainda presas à antiga linguagem, e só acreditam nas coisas que tem explicação.

- Quer dizer que não há uma razão para viver?

- Você não entendeu o que estou dizendo. Eu disse que não sei a razão. Mas claro que existe um motivo para estar aqui, e Deus o conhece.

- Por que não nos revela?

- Revela a cada um de nós, mas numa linguagem que às vezes não aceitamos, porque ela não é lógica - e estamos por demais acostumados a receitas e fórmulas.

“O nosso coração sabe por que estamos aqui. Quem escutar o coração, seguir os sinais, e viver sua Lenda Pessoal, vai entender que está participando de algo, mesmo que não compreenda racionalmente. Diz a tradição que, no segundo antes da nossa morte, a gente se dá conta da verdadeira razão da existência. E neste momento, nasce o Inferno e o Paraíso.

- Não entendi.

- O Inferno é, nesta fração de segundo, olhar para trás e saber que desperdiçamos uma oportunidade de honrar a Deus e dignificar o milagre da vida. O Paraíso é poder dizer, neste momento: “Cometi alguns erros, mas não fui covarde: vivi minha vida, e fiz o que devia fazer”. Tanto o Inferno como o Paraíso irão nos acompanhar por muito tempo, mas não para sempre.

- Como posso saber se estou vivendo minha vida?

- Porque, ao invés de amargura, você sente entusiasmo. Essa é a única diferença. De resto, há que respeitar o Mistério, e aceitar - com humildade -que Deus tem um plano para nós. Um plano generoso, que nos conduz em direção a Sua presença, e que justifica estes milhões de estrelas, planetas, buracos negros, etc. que estamos vendo nesta noite, aqui em Oslo (estávamos na Noruega).

- É muito difícil viver sem uma explicação.

- Você pode explicar porque o homem necessita de dar e receber amor? Não. E você vive com isso, não vive? Não apenas você vive com isso, como é a coisa mais importante da vida: o amor. E não existe explicação nenhuma.

“Da mesma forma, tampouco há explicação para a vida. Mas existe uma razão para estarmos aqui, e você precisa ser humilde o suficiente para aceitar isso. Confie em minhas palavras; a vida de cada um dos seres humanos tem um sentido, embora ele cometa o erro de passar grande parte do seu tempo na terra buscando uma resposta, enquanto se esquece de viver”.

“Posso lhe dar um exemplo de uma época em que cheguei perto de entender tudo isso. Eu tinha comparecido a festa de comemoração dos 50 anos da minha formatura do ginásio. Ali, na escola onde estudei enquanto adolescente, encontrei muitos amigos. Bebemos, fizemos as mesmas piadas de meio século atrás.

Em um dado momento, olhei para o pátio da escola. Então, me vi criança, brincando com eles, olhando a vida com surpresa e intensidade. De repente, aquela criança que eu fui pareceu ganhar forma e se aproximou - se de mim”.

“Olhou-me nos olhos, e sorriu. Então, eu entendi que não havia traído os meus sonhos de infância. Que a criança que tinha sido um dia, ainda estava orgulhosa de mim. Que a mesma razão que eu tinha para viver quando criança, continuava viva em meu coração”.

“Procure viver com a mesma intensidade de uma criança. Ela não pede explicações; mergulha em cada dia como se fosse uma aventura diferente e, de noite, dorme cansada e feliz”.

Paulo Coelho

Diálogo com o Mestre - II

A Lenda Pessoal
(Continuo reproduzindo aqui alguns trechos de conversas com meu mestre, no período de 1982 a 1986)

- O que é a Lenda Pessoal?

- É a sua bênção, o caminho que Deus escolheu para você aqui na Terra. Sempre que um homem faz aquilo que lhe dá entusiasmo, está seguindo sua Lenda. Acontece que nem todos têm coragem de enfrentar-se com os próprios sonhos.

- Por que razão?

- Existem quatro obstáculos. O primeiro: ele escuta, desde criança, que tudo o que desejou viver é impossível. Cresce com essa idéia, e à medida que acumula anos, acumula também camadas de preconceitos, medos, culpas. Chega um momento em que sua Lenda Pessoal está tão enterrada em sua alma, que não consegue mais vê-la. Mas ela permanece ali.

“Se ele tem coragem de desenterrar seus sonhos, então enfrenta o segundo obstáculo: o amor. Já sabe o que deseja fazer, mas pensa que irá ferir aqueles que estão à sua volta, se largar tudo para seguir seus sonhos. Não entende que o amor é um impulso extra, e não algo que o impede de seguir adiante. Não entende que aqueles que realmente lhe desejam bem, estão torcendo para que seja feliz, e estão prontos para acompanhá-los nesta aventura”.

“Depois de aceitar que o amor é um estímulo, o homem está diante do terceiro obstáculo: o medo das derrotas que irá encontrar em seu caminho. Um homem que luta pelo seu sonho, sofre muito mais quando algo não dá certo, porque não tem a famosa desculpa: “ah, na verdade eu não queria bem isso...” Ele quer, sabe que ali está apostando tudo, e sabe também que o caminho da Lenda Pessoal é tão difícil como qualquer outro caminho -com a diferença que nesta jornada está o seu coração. Então, um guerreiro da luz precisa estar preparado para ter paciência nos momentos difíceis, e saber que o Universo está conspirando a seu favor, mesmo que ele não entenda.

- As derrotas são necessárias?

- Necessárias ou não, elas acontecem. Quando começa a lutar por seus sonhos, o homem não tem experiência, e comete muitos erros. Mas o segredo da vida é cair sete vezes, e levantar-se oito vezes.

- Por que é tão importante viver a Lenda Pessoal, se vamos sofrer mais que os outros?

- Porque, depois de superada as derrotas - e sempre as superamos - nos sentimos com muito mais euforia e confiança. No silêncio do coração, sabemos que estamos sendo dignos do milagre da vida. Cada dia, cada hora, é parte do Bom Combate.

Passamos a viver com entusiasmo e prazer. O sofrimento muito intenso e inesperado termina passando mais rápido que o sofrimento aparentemente tolerável: este se arrasta por anos, e vai corroendo nossa alma sem que percebamos o que está acontecendo - até que um dia já não podemos nos livrar da amargura, e ela nos acompanha o resto de nossas vidas.

- E qual é o quarto obstáculo?

- Depois de desenterrar seu sonho, usar a força do amor para apoiá-lo, passar muitos anos convivendo com as cicatrizes, o homem nota - do dia para a noite - que o que sempre desejou está ali, a sua espera, talvez no dia seguinte. Então vem o quarto obstáculo: o medo de realizar o sonho pelo qual lutou toda a sua vida.

- Isso não faz o menor sentido.

- Oscar Wilde dizia: “a gente sempre destrói aquilo que mais ama”. E é verdade. A simples possibilidade de conseguir o que deseja faz com que a alma do homem comum encha-se de culpa. Ele olha a sua volta, e vê que muitos não conseguiram, e então acha que não merece. Esquece tudo o que superou, tudo que sofreu, tudo que teve que renunciar para chegar até onde chegou. Conheço muita gente que, ao ter a Lenda Pessoal ao alcance da mão, fez uma série de bobagens e terminou sem chegar até seu objetivo - quando faltava apenas um passo.

“Este é o mais perigoso dos obstáculos, porque tem uma certa aura de santidade: renunciar à alegria e à conquista. Mas se o homem entende que é digno daquilo pelo qual lutou tanto, então ele se transforma num instrumento de Deus, ajuda a Alma do Mundo, e entende por que está aqui”.

Paulo Coelho

Diálogo com o Mestre - I

A Viagem

Durante recente mudança para o novo apartamento, descobri uma série de anotações de conversas minhas com J., que pertence à ordem R.A.M., uma pequena confraria dedicada a estudar a tradição oral e a linguagem simbólica do mundo. Estas notas cobrem nossos encontros no período de Fevereiro, 1982 até 1997.

Recentemente perguntei a ele se poderia compartilhar parte destes textos; ele concordou, e vou dedicar as próximas cinco colunas a descrever alguns de nossos encontros (período 1982-1986). Transformei os textos em diálogos para melhor compreensão, e que as palavras de J. não são exatamente as que ele usou, embora o conteúdo seja absolutamente fiel ao que escutei.

Os textos não estão em ordem exata. Resolvi começar com algumas de nossas conversas de 1986, quando ele insistia para que eu fizesse o Caminho de Santiago.

- Você diz que fazer o Caminho de Santiago é importante. Para isso, preciso largar tudo por algum tempo: família, emprego, projetos. E não sei se vou encontrar a mesma situação quando voltar.

- Espero que não encontre.

- Então, devo arriscar-me a perder tudo que consegui até agora?


- Perder o quê? Um homem só tem sua alma para ser ganha ou perdida; além da vida, ele não possui mais nada. Não importa as vidas passadas ou futuras - no momento você está vivendo esta, e deve fazê-lo com compreensão silenciosa, alegria, e entusiasmo. O que você não pode perder é o entusiasmo.

- Eu tenho uma mulher, que amo.

- (rindo) Esta é sempre a desculpa mais comum, e a mais tola possível. O amor nunca impediu o homem de seguir seus sonhos. Se ela realmente o ama, vai querer o melhor para você. Além do mais, você não tem uma mulher que ama; a mulher não é sua. O que é seu é a energia do amor, que você dirige para ela. Você pode fazer isso de qualquer lugar.

- E se eu não tivesse dinheiro para fazer a peregrinação?

- Viajar não é sempre uma questão de dinheiro, mas de coragem. Você passou grande parte da sua vida correndo o mundo como hippie: que dinheiro tinha, então? Nenhum. Mal dava para pagar a passagem, e mesmo assim acredito que foram alguns dos melhores anos de sua vida - comendo mal, dormindo em estações de trem, incapaz de se comunicar por causa da língua, sendo obrigado a depender dos outros até mesmo para descobrir um abrigo onde passar a noite.

“Viajar é sagrado; a humanidade viaja desde a noite dos tempos, em busca de caça, de pasto, de climas mais amenos. São raros os homens que conseguem compreender o mundo sem sair de suas cidades. Quando você viaja - e eu não estou falando em turismo, mas na experiência solitária da viagem - quatro coisas importantes acontecem em sua vida:

A]
você está em um lugar diferente. Então, as barreiras protetoras já não existem mais. No começo isso dá muito medo, mas em pouco tempo você se acostuma, e passa a entender quanta coisa interessante existe além dos muros de seu jardim.

B]
porque a solidão pode ser muito grande e opressora, você está mais aberto com pessoas com quem nunca trocaria uma palavra, se estivesse em sua casa - garçons, outros viajantes, empregados de hotel, o passageiro sentado ao seu lado no ônibus.

C] você passa a depender dos outros para tudo: arranjar um hotel, comprar algo, saber como tomar o próximo trem. Descobre então que nada há de errado em depender dos outros - muito pelo contrário, isto é uma bênção.

D] você está falando uma língua que não compreende, usando um dinheiro que não sabe o valor, caminhando por ruas que nunca passou antes. Você sabe que o seu Eu antigo, com tudo que aprendeu, é absolutamente inútil diante destes novos desafios - e começa a descobrir que, enterrado lá no fundo do eu inconsciente, existe alguém muito mais interessante, aventureiro, aberto para o mundo e para experiências novas.

“Viajar é a experiência de deixar de ser quem você se esforça para ser, e se transformar naquilo que você é”.

Paulo Coelho

Eterna Preparação

Desperdiçamos nossas vidas inteiras fazendo preparativos;
Enquanto nos preparamos todos morremos.
Mesmo com a morte não há fim para os preparativos,
Já que começamos a nos preparar para a próxima vida.
Drakpa Gyaltsen (Tibete, séc. 12)
“Abandonar os quatro apegos”, v. 21

Extraído de Samsara

Frase do Dia

"O caminho do risco é o sucesso
O do acaso é a sorte
O da dor é o amigo
O caminho da vida é a morte!"
 Raul Seixas / Paulo Coelho

Coletânea Isabella Taviani - Parte III

Digitais 
(Isabella Taviani)
Eu tava aqui tentando não pensar no seu sorriso
Mas me peguei sonhando com sua voz ao pé do ouvido
E te liguei
Me encontro tão ferida, mas te vejo aí também em carne viva
Será que não tem jeito?
Esse amor ainda nem nasceu direito pra morrer assim

Se você pudesse ter me ouvido um pouco mais
Se você tivesse tido calma pra esperar
Se você quisesse poderia reverter
Se você crescesse e então se desculpasse
Mas se você soubesse o quanto eu ainda te amo
É que eu não posso mais

Não vou voltar atrás
Raspe dos teus dedos minhas digitais
Não vou voltar atrás
Apague da cabeça, o meu nome, telefone, endereço
Não vou voltar atrás
Arranque do teu peito o meu amor cheio de defeitos

Me mata essa vontade de querer tomar você num gole só
Me Dói essa lembrança das suas mãos em minhas costas
Sob o sol da manhã
Você já me dizia: Conheço bem as suas expressões
Você já me sorria ao final de todas as minhas canções
Então por quê? 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Coletânea Isabella Taviani - Parte II

Último Grão 
(Isabella Taviani)

Não demora agora
Há tanto pra gente conversar
Eu desejo e vejo, a rua, você atravessar
E os seus passos largos já não me incomodam
Não te acompanho mais, caminho do meu modo
Seus olhos turvos e pouco sinceros
Não me atormentam quanto mais eu enxergo

Eu e você, podia ser
Mas o vento mudou a direção
Eu e você e esta canção
Pra dizer adeus ao nosso coração

Tá na minha frente
Não se perturbe verdade é pra falar
Sei que vai doer um pouco
Mas ainda há tanto pra lembrar
seu sorriso lindo, indefinido
Suas mãos tão quentes atravessando o meu vestido

Palavras que falávamos simultaneamente
No meu ouvido o seu discurso indecente

Às vezes o amor
Escorre como areia entre os dedos
Não tem explicação para tantos erros
É melhor partir
Antes do último grão cair 

Coletânea Isabella Taviani - Parte I

O dia tá quase acabando, mas não poderia deixar de postar uma coletânea da maravilhosa Isabella Taviani. Pensando bem...se for postar tudo o que gosto dessa incrível compositora e intérprete, precisaria de um post ultra-mega-power-master gigante! Então, vou dividir em vários e postar durante a semana. Sou super fã confessa! Deleitem-se:

Ternura 
 (Isabella Taviani)

Uma vez você falou
Que era meu o seu amor
Que ninguém ia separar
Você de mim
Agora você vem dizendo adeus
O que foi que eu fiz
Pra que você me trate assim?

Todo o amor que eu guardei
A você eu entreguei
Eu não mereço tanta dor, tanto sofrer
Agora você vem dizendo adeus
O que foi que eu fiz
Pra que você me trate assim?

Toda ternura que eu lhe dei
Ninguém no mundo vai lhe ofertar
E seus cabelos só eu sei como afagar
O meu pobre coração
Já não quer mais ilusão
Já não suporta mais sofrer ingratidão
Agora você vem dizendo adeus
O que foi que eu fiz
Pra que você me trate assim?



segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Além do ressentimento

As pessoas prejudicam as outras apenas quando estão infelizes. Ninguém acorda de manhã e diz: “Sinto-me tão bem hoje! Acho que vou sair e prejudicar alguém!”.
Quando nos permitimos conhecer a profundidade da dor e confusão sentidas por aqueles que nos prejudicaram, a compaixão — o desejo de que eles se libertem de tal sofrimento — pode surgir facilmente.
Pensar assim não é lavagem cerebral ou negação do dano cometido; justamente, nos conscientizamos dele, mas vamos além do ressentimento acumulado, porque sabemos que o rancor não ajuda nem a nós nem os outros.

Disponível em: Samsara

Por um mundo com mais arte: Pintura com caneta BIC

O artista espanhol Juan Francisco Casas, que a princípio se dedicava a obras pictóricas como todos conhecemos, com tinta e pincel; em 2006, decidiu incursionar por um tipo de arte que é bem popular: o desenho com caneta Bic.

Quem é que nunca fez um desenho com esta velha caneta que atire o primeiro teclado. Quase todos, uma vez ou outra, já tentamos dar alguns rabiscos em uma folha de papel. A maioria não consegue fazer nada melhor que um homem palito, já outros tem o dom da coisa e desenham bem, mas posso dizer com certeza que ninguém o faz como Juan Francisco, que consegue imprimir um ar hiper-realista a suas obras que ficam parecendo mais fotografias em azul e branco do cotidiano, onde transparecem aqueles pequenos momentos de felicidade pura e primitiva. Muito bom!






























sábado, 12 de fevereiro de 2011

Música da Semana: Meu Plano

Meu Plano 
(Lenine/Dudu Falcão)
Meu plano era deixar você pensar o que quiser
Meu plano era deixar você pensar
Meu plano era deixar você falar o que quiser
Meu plano era deixar você falar
Coisas sem sentido
Sem motivo, sem querer
Andei fazendo planos pra você
Engano seu, achar que fosse brincadeira
Engano seu
Aconteceu de ser assim dessa maneira, e o plano é meu
Mesmo sem motivo
Sem sentido, sem saber
Andei fazendo planos pra você
Pra você eu faço tudo e um pouco mais
Pra você ficar comigo e ninguém mais
Largo os compromissos
Deixo tudo ao largo
Você tenta em vão me convencer
Que é melhor não fazer planos pra você

Meu plano era deixar você fugir quando quiser
Meu plano era esperar você voltar
Engano seu, achar que o plano é passageiro
Engano meu
Acho que o destino, antes de nos conhecer
Fez um plano pra juntar eu e você
Pra você eu faço tudo e um pouco mais
Pra você ficar comigo e ninguém mais
Largo os compromissos
Deixo tudo ao largo
Você tenta em vão me convencer
Que é melhor não fazer planos pra você 




Encaro o planejamento futuro como algo muito positivo para um relacionamento, mas depende sempre dos planos individuais. Cada um tem metas e desafios próprios que devem se acomodar aos planos do casal, mas se não existem os primeiros, como acomodar os segundos?

Vídeo da Semana: Socorro, deu tilt no meu cérebro!

Ainda embalada pela onda de ilusões de óptica, o vídeo da semana mostra um clássico "engana olho" que faz o cérebro dar tilt!!! Ainda que saiba em que consiste o "truque" (na realidade não há nenhum) nosso cérebro segue nos dizendo: "a peça de cima é a menor, a peça de cima é a menor, a peça de cima é a menor..." Mas ele não se dá conta de que as duas são iguais?!?!?





Esse vídeo é obra do psicólogo Joseph Jastrow, que gosta muito de experimentar sobre a percepção visual e sua interpretação em nossa mente. No caso das ilusões visuais baseadas em contrastes assíncronos de campo único há diversos estudos que, ainda que não nos interessem de um ponto de vista acadêmico ou científico, são sim interessantes como curiosidades. Neste extenso artigo (em inglês) é possível encontrar vários exemplos e explicações de porque às vezes caímos nessas armadilhas.

Ainda está desconfiado que é um truque de vídeo? Pois faça o teste em casa, tudo o que tem de fazer é recortar um par de pedaços de papel ou cartolina com o mesmo formato curvo. E faça quantas vezes quiser e seguirá achando que a peça da parte de cima é mais curta que a de baixo.

Ilusão de Óptica

No post anterior falei sobre a pintura "viva", que além de obra de arte, também é uma ilusão de óptica. Inspirada nesse tema trompe l'oeil, trouxe para vocês um ilusão de óptica bastante simples; mas que, segundo seu criador, pode indicar se está apaixonado ou não. A única coisa a fazer é fixar o olhar no centro onde está escrito "You're cool" por alguns segundos.


  • Quem conseguir ver um coração verde dando voltas em menos de 5 segundos está perdidamente apaixonado.
  • Quem ver o coração em menos de 10 segundos, possivelmente anda suspirando por alguém.
  • Se demorar mais de 10 segundos ou não conseguir ver o coraçãozinho verde, não precisa se preocupar pois não está infectado com o vírus do amor.
  • Agora, se ver um etezinho verde dando voltas na imagem... procure um psiquiatra pois ETs não "eczistem".

Por um mundo com mais arte: Pintura "Viva"

Parece uma pintura, mas a imagem abaixo é um retrato do fotógrafo James Birkbeck. Ele mesmo fez a maquiagem para se transformar em Vincent Van Gogh -ou melhor, em um dos autorretratos pintados pelo artista holandês.

Comparem a grande semelhança entre a fotografia de Birkbeck e a pintura de Gogh:

             Autorretrato de Birkbeck              Autorretrato de Gogh



Nessa mesma linha de fotografia namorando a pintura corporal, temos o trabalho espetacular de Alexa Meade:






Para conferir o trabalho dos artistas, visite o FlickR de James Birkbeck e o site de Alexa Meade

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

BLACK SWAN

BLACK SWAN (Cisne Negro), o comentadíssimo filme estrelado por Natalie Portman no papel principal de uma bailarina, e diga-se de passagem, segundo crítica e público, dando um SHOW de interpretação, está em cartaz nos melhores cinemas do Brasil.
O novo filme de Darren Aronofsky -o mesmo diretor de Réquiem Para Um Sonho e O Lutador- rendeu a Natalie Portam o prêmio de melhor atriz na última edição do Globo de Ouro e está concorrendo em seis categorias no Oscar 2011! Estou torcendo por ela, claro!

Além da trama e do elenco, o figurino merece um olhar atento. Para o longa, Kate e Laura Mulleavy, a dupla por trás da Rodarte, desenhou 40 figurinos de balé – dizem que foi a própria Natalie quem apresentou Darren às irmãs. Mas como nem tudo são flores, não achem que vamos ver Kate e Laura entre os indicados ao Oscar como a atriz principal e amiga das estilistas. Por não serem afiliadas ao "Costume Design Guild" quando colaboraram com o filme, as irmãs ficaram de fora e, caso o filme ganhe a premiação por melhor figurino, quem irá levar a estatueta para casa será a figurinista Amy Westcott







Que o filme é o bam-bam-bam do momento todo mundo sabe, mas caso reste alguma dúvida a VOGUE RUSSA de fevereiro confirma com um editorial inspirado no ballet e com fortes influências do filme. Tá lindíssimo, olha só:



Ainda não assisti, mas ele parece ser simplesmente imperdível!  Assim que assistir, coloco uma resenha por aqui.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Sobre o Silêncio

A Voz Do Silêncio - Martha Medeiros

Pior do que a voz que cala,

é um silêncio que fala.

Simples, rápido! E quanta força!


Imediatamente me veio à cabeça situações

em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,

esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude,

depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.

Só ele permanece imutável,

o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas

que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento

articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica,

ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"

É o silêncio de um, mandando más notícias

para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações

em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.

Mesmo no amor,

quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba,

é aquele que fala.

E fala alto.


É quando ninguém bate à nossa porta,

não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem

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O silêncio se mostra assustador, provavelmente porque eu seja uma tagarela! Mas sou uma tagarela em reabilitação, tentando silenciar não apenas a boca, mas principalmente a mente.
Por isso trago aos que seguem, como eu, a jornada em busca do silêncio, algumas frases inspiradoras:

"Fala se tens palavras mais fortes do que o silêncio, ou então guarda silêncio"  (Eurípedes)

"O som aniquila a grande beleza do silêncio." (Charles Chaplin)

"Muitas vezes, o silêncio da pura inocência persuade, quando as palavras malogram." (William Shakespeare) 

"Pratique o silêncio e você adquirirá um conhecimento silencioso. Neste conhecimento silencioso está um sistema computacional que é muito mais minucioso, muito mais preciso, e muito mais poderoso do que qualquer coisa que esteja contida nas fronteiras do pensamento racional." (Deepak Chopra)

"Duas pessoas têm vivido em você por toda a sua vida. Uma é o ego, tagarela, exigente, histérico, calculista; a outra é o ser espiritual escondido, cuja silenciosa voz de sabedoria você somente ouviu ou reparou raramente - você revela em si mesmo o seu próprio guia sábio." (Sogyal Rinpoche)

A suprema excelência do AMOR


Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é o em parte será aniquilado.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.

1 Coríntios 13


P.S.: Quero mergulhar nesse AMOR de corpo e alma. Quero parar com as "coisas de menina" e ser uma mulher plena que, sobremaneira, AMA de todo o coração, com um amor puro e verdadeiro, que é sofredor, benigno; que não é invejoso e tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Dica de leitura

A HISTÓRIA DA FELICIDADE - Uma palavra singular com sentido plural
Autora: Marleine Cohen
Editora Saraiva
A felicidade é um poder genético? Um empurrão do evolucionismo? Uma recompensa divina? O autoconhecimento? Uma questão de saúde pública? Uma boa química cerebral? Essas e outras questões são abordadas no livro. O tema felicidade é analisado nesta obra por meio de diferentes conceitos atribuídos ao termo nos campos da religião, filosofia e ciência ao longo da História.



Para comprar clique aqui

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Dica de filme: À PROCURA DA FELICIDADE

O filme À Procura da Felicidade, que conta a história de Chris Gardner, é simplesmente imperdível. Além da incrível e tocante interpretação de Will Smith, a mensagem do filme é excelente.

Trata-se de um homem obstinado que luta para sobreviver e sustentar seu filho mesmo sob as mais árduas circunstâncias, sem que isso o faça ignorar os principais valores nem perder as esperanças. Gardner encontra-se nas mais desesperadas situações, sob constante pressão financeira, chegando a dormir no banheiro de uma estação de metrô e depois em abrigos. Nessa jornada angustiante, ainda é abandonado pela mulher, tendo que criar o filho sozinho. Mas nada disso o impede de manter o carinho e passar valiosas lições para seu filho, que depositara total confiança no pai. Os obstáculos parecem intransponíveis, mas a força de vontade de Gardner é ainda maior.

Em uma determinada cena do filme, quando Gardner jogava basquete com seu filho, uma preciosa lição de vida foi passada aos espectadores. O próprio pai fala para o filho desistir do sonho de ser um campeão algum dia, e ao perceber o desânimo do garoto, lhe dá uma bronca, explicando que ele não deve jamais deixar outros - inclusive o próprio pai - colocá-lo para baixo, repetir que ele não é capaz de algo. A inveja faz com que outros tentem diminuir as habilidades alheias, desestimulando qualquer um que pareça um pouco mais capaz em determinada tarefa. O pai afirma então que o filho nunca deve ligar para isso, para o que os outros falam dele, e que nada deverá ficar entre seus sonhos e a realização deles. Proteja seus sonhos sempre! A responsabilidade é individual, e isso vale ainda mais em um país onde muitos esperam passivamente soluções milagrosas através do governo. 

A postura do próprio Chris Gardner enfatiza esse abismo que separa os eternos fracassados daqueles que chegam ao sucesso. Logo no começo do filme, Gardner avista um indivíduo saindo de uma Ferrari em frente a um prédio comercial. Todos à sua volta pareciam felizes. Ele pergunta ao desconhecido o que ele fazia para poder ter aquilo, e a resposta muda sua vida. O homem diz que era corretor de ações, e que para tanto bastava ser bom com números e com pessoas. Gardner coloca na sua mente então que chegará lá um dia, e parte para um processo obstinado de tentativa, superando os mais absurdos obstáculos. O grande diferencial que vejo é o fato dele olhar o sucesso alheio e admirá-lo, querendo buscar para si algo semelhante. Isso é oposto ao que vemos, infelizmente com boa freqüência, em pessoas invejando o sucesso alheio, e querendo destruí-lo ao invés de lutar para subir na vida por conta própria.
 

Não deixem de assistir ao filme. Em uma nação que idealiza um governo paternalista, pensando somente no que ele pode oferecer e onde a iniciativa privada é vista como inimiga do povo, nada mais urgente que um relato de uma história verídica, de um sujeito que conhece bem de perto a completa miséria e sai dela por conta própria, tornando-se um multimilionário. E lembrando ainda que o dinheiro aqui é apenas um subproduto, um indicador do sucesso que Gardner teve na vida. Pois seu valor mesmo, como homem íntegro que soube vencer barreiras inacreditáveis e educar seu filho sob tais circunstâncias, esse não pode ser mensurado pelos seus milhões de dólares.



Pôster do filme À procura da felicidade - The Pursuit of HappynessFicha do filme À Procura da Felicidade
Título original: The Pursuit of Happyness
País: Estados Unidos
Ano: 2006
Idiomas: inglês
Diretor: Gabriele Muccino
Roteiro: Steve Conrad
Gênero: Drama
Elenco: Will Smith (Chris Gardner), Jaden Smith (Christopher), Thandie Newton (Linda), James Karen (Martin Frohm), Dan Castellaneta (Alan Frakesh), Kurt Fuller (Walter Ribbon), Takayo Fischer (Sra. Chu), Brian Howe (Jay Twistle), entre outros.
Duração: 117 minutos

Baixe e assista o Trailer do Filme À Procura da Felicidade (vários formatos).

Site Oficial: www.aprocuradafelicidade.com.br
* Curiosidade: Veja o verdadeiro Chris Gardner, clique aqui

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

AO PERDER A TI

"Ao perder a ti, tu e eu perdemos
Eu, porque tu eras o que eu mais amava
E tu, porque eu era o que te amava mais

Contudo, de nós dois, tu perdeste muito mais que eu...
Porque eu poderei – quem sabe – amar outra como amava a ti
Mas a ti, com certeza, não te amarão como te amava eu!"

(De Ernesto Cardenal, poeta nicaraguense)

Falando de Amor: Tô viciada?

Dizem por aí que o amor nos cega. Para a neurociência, isso tem um fundo de verdade: algumas regiões do cérebro responsáveis por julgamentos sociais -se uma pessoa é confiável ou não, por exemplo- ficam menos ativas quando contemplamos o objeto da nossa paixão, seja filho ou namorado.
Talvez por isso eles costumem parecer mais bacanas aos nossos olhos do que aos dos outros.
Pensando bem, se todos temos defeitos, quantos casais não deixariam de se formar sem a ajuda de uma cegueirazinha mútua para pequenos problemas?
A cegueira social amorosa pode até explicar por que, quando as coisas vão mal, quem não está envolvido consegue enxergar razões suficientes para terminar um relacionamento mais facilmente do que as partes interessadas.
No entanto, mesmo quando a cegueira passa e temos consciência de querermos alguém que nos maltrata, despreza, ignora e às vezes até rejeita, a primeira reação do cérebro pode ser... insistir mais ainda em reconquistar o amor da pessoa em questão.
Os amigos, cujo cérebro não sofreu as influências do(a) Fulano(a), repetem que ficamos melhor sem ele(a). Sabemos disso, mas... Por que pode ser tão difícil dizer "basta" a um relacionamento ruim? Masoquismo? Culpa? Carma?
De certa forma, vício. O amor de uma pessoa é talvez o melhor dos vícios: algo do qual queremos mais, e sempre, e pelo qual fazemos tudo o que for preciso.
Ele estimula o sistema de recompensa do cérebro, que nos traz prazer, bem-estar e felicidade -e nos faz querer mais de tudo isso com aquela pessoa. A expectativa do prazer de estar com ela é motivação suficiente para a procurarmos.
O problema é que, curiosamente, quando o que causou prazer no passado deixa de funcionar, ou só funciona às vezes, o sistema de recompensa responde durante algum tempo a essas lembranças com uma ativação ainda maior, que motiva o cérebro a insistir quase obsessivamente no assunto até recobrar o bem-estar de antes.
É exatamente o que nos faz apertar dezenas de vezes seguidas, e cada vez mais desesperadamente, o botão do controle remoto cuja pilha acabou. Você vê que não funciona mais -mas e se, graças à sorte ou ao seu charme, voltar a funcionar?
Se voltar, ótimo - ou não, porque, se a calmaria for apenas temporária, logo começa tudo de novo. E se não voltar, a receita da reabilitação é uma só: tempo, abstinência e outros prazeres.

Suzana Herculano-Houzel
(Neurocientista, professora da UFRJ e autora dos livros "O Cérebro Nosso de Cada Dia" e "Sexo, Drogas, Rock'n'Roll & Chocolate" - ed. Vieira & Lent. Artigo publicado na “Folha de SP, 10/5).