terça-feira, 31 de maio de 2011

Frase do dia

"As pessoas viajam para admirar a altura das montanhas, as imensas ondas dos mares, o longo percurso dos rios, o vasto domínio do oceano, o movimento circular das estrelas, e no entanto elas passam por si mesmas sem se admirarem." 
Santo Agostinho

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Dica de livros - Fayga Ostrower

O post de hoje vem fazer uma homenagem à Fayga Ostrower e seu trabalho que foi uma contribuição indiscutível ao desenvolvimento e à reflexão das artes no Brasil. Suas gravuras, desenhos e aquarelas ampliaram as possibilidades do fazer artístico.

Além de grande artista, Fayga era uma educadora. Constantemente esteve dedicada à socialização do saber. Indo além da mera constatação de que a eternidade das obras e dos artistas não depende exclusivamente da preservação em museus, Fayga dedicou-se a falar, mostrar, escrever, discutir, ensinar. Já li alguns de seus livros e recomendo a leitura a todos que desejam lançar um novo olhar às expressões artísticas.


  • Acasos e Criação Artística

Editora Campus, RJ, lançado em 1990, 312 páginas, 112 ilustrações.

Sinopse:
"Não existe criação artística sem acasos. Mas será que existem acasos na criação?" Partindo desta pergunta instigante, o presente livro apresenta um leque de questões interligadas a respeito dos processos criativos, entre outras: as potencialidades do indivíduo, a inspiração e o papel da intuição na percepção, a estrutura de formas, o crescimento e desenvolvimento de níveis de percepção nas crianças, a arte infantil, a expressividade da linguagem de computadores, a arte dos séculos XIX e XX. Ainda acompanhando a análise de estilos históricos e de artistas individuais, o texto também levanta perguntas tais como: por que tornou-se tão difícil para o público apreciar a arte produzida nos dias de hoje? Foi sempre assim? Existiriam critérios objetivos?

Escrito em linguagem clara e acessível, o livro permite que o leitor participe ativamente no debate sobre as questões artísticas fundamentais. E também aprofunda seu prazer diante da beleza da arte.

O texto é ilustrado por desenhos que exemplificam conceitos de percepção e de princípios estruturais, e por 112 reproduções (45 em cores) de obras de arte datando desde a Pré-história até a época atual. Em todas as obras, a análise da estrutura formal da imagem demonstra as correspondências que existem entre as formas visuais e seu conteúdo expressivo.


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  •  Universos da Arte

Editora Campus, RJ, lançado em 1983, 400 páginas, mais de 300 ilustrações.


Sinopse:
Didático, analítico e também contemplativo, este texto representa uma contribuição original para a compreensão da arte. Procedendo em vários níveis, a autora expõe os princípios fundamentais de composição ao mesmo tempo em que relata uma experiência fascinante: a de um curso teórico ministrado a operários de uma fábrica, transcrevendo diálogos e questionamentos que surgiram nas aulas. Além disso, numa visão global da arte como experiência de vida, ela examina os significados do trabalho artístico. Apresentando dados biográficos de artistas e uma análise crítica de suas obras (fartamente ilustradas) - e usando como critérios objetivos os próprios princípios da linguagem visual - ela mostra como nas obras se revela claramente o crescimento da personalidade do artista, sua figura humana. Através da leitura deste livro somos levados a entender o quanto a arte amplia nossa sensibilidade e nossa consciência.

Das mais de 300 ilustrações que acompanham o texto, 118 são desenhos que exemplificam os conceitos de composição e 188 reproduções (37 em cores) de obras datando desde a Pré-História até os dias de hoje. Todas as ilustrações são acompanhadas de análises da estrutura espacial da imagem, demonstrando as correspondências que existem entre essas estruturas e o seu conteúdo expressivo.


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  • A Sensibilidade do Intelecto - Prêmio Literário Jabuti, 1999

Editora Campus , RJ, lançado em 1998, 328 páginas, 140 ilustrações.

Sinopse:
Sobre este livro, que ganhou o Prêmio Literário Jabuti, em 1999, Leandro Konder, escritor e filósofo, escreveu: "Neste livro Fayga Ostrower se debruça, com paciência, sobre alguns dos problemas mais complexos e mais importantes da estética. Evita, contudo, qualquer pernosticismo: discorre, em linguagem clara, acessível, sobre a beleza, a interdependência entre razão e sensibilidade, a relação tensa e fecunda entre forma e matéria. Examina com incansável atenção o modo inevitavelmente ativo e seletivo que os seres humanos têm de perceber a realidade, o contexto em que se encontram: antes da percepção, os sujeitos humanos já estão predispostos a interpretar as impressões que lhes chegam de acordo com certas conveniências vitais. A percepção, como ensinam os teóricos da Gestalt, é uma síntese. E não é 'neutra'. Fayga nos convida a refletir sobre o fato de estarmos sempre construindo e reconstruindo imagens globais em nossas mentes, num 'jogo' cujas regras estão constantemente mudando.

Fayga nos adverte que: os momentos em que conseguimos comunicar algo significativo sobre o nosso encontro com a 'beleza essencial' são momentos gloriosos. 'Sentimo-nos vivos, inteiramente vivos, e ainda participando de uma Humanidade Maior'".

domingo, 29 de maio de 2011

Pintura no chão


O inglês Julian Beever é um artista que faz impressionantes pinturas no chão das cidades.  Suas pinturas estão espalhadas por diversos países no mundo. 
A técnica usada por esse artista de rua é uma pintura em 3 dimensões, o que dá a uma impressão de realidade imensa. As pinturas são tão boas que, quando vistas do ângulo certo, fica complicado perceber onde é que termina a pintura e começa o chão.
Ao pintar os seus desenhos ele fica pendurado sobre uma espécie de banquinho.
Em seu site,  existem diversas  imagens do artista, vale muito a pena conferir!


Algumas das suas obras...
julian-beever
[3D.jpg]

CURIOSIDADES:
Julian Beever trabalhando na sua pintura:
 

A pintura em outro ângulo:

e vista a partir do ângulo certo:

sábado, 28 de maio de 2011

Por um mundo com mais AMIZADE e ARTE!!!

O dia já tá acabando, mas eu queria muito compartilhá-lho aqui no blog. Um dia cheio de atividades e marcado pelas duas coisas que eu mais aprecio na vida: AMIZADE  e ARTE.

Sei que o Dia dos Namorados está chegando; mas, pelo menos para mim, amizade sincera ainda é um tesouro mais precioso e difícil de encontrar do que uma paixão. Tesouro que tenho procurado cuidar com muito carinho. 

Não que namorado não possa ser amigo, aliás esse é o primeiro requisito. Mas falo de amizades plenamente despretensiosas, daquelas que são tão boas que nem precisam estar presentes no dia-a-dia, porque só em saber que existem já nos enchem de alegria! E quando aparecem, têm o poder de fazer o peito transbordar de felicidade!!!

Hoje eu pude sentir esse gostinho bom de ter uma amiga -carinhosa e confidente- com quem posso dividir um bocado do compõe o universo que me distrai. Tivemos direito à massa (ultracalórica) no almoço, carros "perdidos" no estacionamento do shopping, confusão no trânsito louco de Fortaleza, Brownie com sorvete, passeio em loja de decoração, material de desenho, livrarias. muitas risadas e papo gostoso, principalmente sobre arte.

O encontro de hoje acendeu ainda mais o encanto pela criação artística. Sobremaneira, como ferramenta terapêutica. Afinal, criação é um ato de compreensão que redimensiona o universo humano.

É incrível como a Arte pode nos ajudar a interagir, compreender, repensar e remodelar o mundo. Porque, assim como em tudo ao nosso redor, sejam coisas, pessoas ou relacionamentos, também na Arte o todo não fala por si só; mas só existe pelo poder das partes que o compõe.

Já parou pra analisar o que é uma experiência artística? Quando olhamos para uma imagem e seguimos os diversos detalhes -as linhas, as cores, as formas se desdobrando em semelhanças e contrastes, por exemplo- e notamos os ritmos de cada parte se interligando com os grandes ritmos da composição e percebemos em tudo uma coerência e íntima razão de ser -vivemos uma experiência estética. Uma experiência artística.

Nas obras de arte, os conteúdos expressivos resultam das constantes interrelações entre partes e totalidade. Cada componente, ao participar de uma composição, dela receberá determinado significado. Esse significado não existe independentemente, como um dado fixo ou preestabelecido. Tudo surge e se define em interações recíprocas. A composição de uma imagem, por exemplo, vai tomando forma à medida em que entrarem os elementos visuais (certas linhas, cores, superfícies, etc) e com eles se articulam determinados relacionamentos formais (contrastes, semelhanças, tensões espaciais, ritmos) e, ao mesmo tempo, o significado de cada um dos elementos e das posições que ocuparem será redefinido pelo conjunto dos outros elementos presentes.

Discurso familiar? Pois é... somos componentes insubstituíveis dessa grande composição artítica que chamamos de vida. E, como eu sempre digo...viver é desenhar sem borracha, pois não dá pra apagar o erro cometido, a palavra proferida, o tempo perdido; mas podemos dar novos formatos e significados surpreendentes ao que antes era apenas borrão!

Tomemos as dificuldades, os desencontros, as tristezas e até as alegrias que tiveram sua vez mas que, como tudo, são finitas e as encaremos como oportunidades de pura criação: pegue mais uma tela em branco e.... mãos à obra! Porque o mundo tem as cores que você coloriu...


quarta-feira, 25 de maio de 2011

O que é namorar?

Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, nos bares, levanta os braços, sorri e dispara: ´eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também´. No entanto, passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração ´tribalista´ se dirigem aos
consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição.
A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu. Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja é preciso
comer o bolo todo e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc.
Desconhece a delícia de assistir a um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado, roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, carinho e amor.
Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer bom dia, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter ´alguém para amar´.. Somos livres para optarmos! E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento...

Arnaldo Jabor

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Música do Dia: Resposta ao Tempo

Famosa na voz maravilhosa de Nana Caymmi, a canção de Aldir Blanc, "Resposta ao tempo", é um imperdível duelo. Quem tem mais vantagens nessa disputa: o Ser humano ou o Tempo? Confira a letra

Resposta ao Tempo
(Composição de Aldir Blanc)

Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Pra ter argumento
Mas fico sem jeito
Calado, ele ri
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei
Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há folhas no meu coração
É o tempo
Recordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei
E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos
Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto
E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer
Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto
E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, e ele não vai poder
Me esquecer
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer

Frase do dia

"Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre, sem saber
que o pra sempre, sempre acaba?"
Renato Russo

O ETERNO SONHO DE CRUZAR A LINHA TEMPORAL


Não é recente a vontade do homem de cruzar a linha do tempo. A possibilidade de viajar para épocas passadas e visitar o futuro é instigante, porém seus efeitos podem ser avassaladores. Trata-se, porém, de uma realidade impossível de acontecer, valendo apenas para inundar-nos de fantasia e sonhos. Porém, nada melhor do que esse tema para encher a imaginação de um universo cada vez maior de pessoas, todas na esperança de que um dia isso de torne possível.
É sobre esse assunto que o escritor espanhol Felix J. Palma nos brinda com seu excelente romance O Mapa do Tempo.
Aproveitando a onda de livros de ficção que carregam obras literárias de reconhecimento universal para nortear seus romances, Felix Palma se apoia no livro “A Máquina do Tempo”, do escritor inglês H. G. Wells, originalmente publicada em 1895, para criar uma rede de acontecimentos que permeia toda a trama e prende a atenção do leitor do início ao fim.
Transportando H. G. Wells para as páginas de seu romance, o espanhol consegue desenvolver um texto de prosa objetiva e clara, fugindo de lugares comuns e ressaltada pela tradução efetuada por Paulina Wacht e Ari Roitman.
Na trama, que transcorre no ano de 1896, um empresário chamado Gillian Murray promete viagens temporais para os corajosos que quiserem se aventurar até o ano 2000, mais precisamente até o dia 20 de maio, e testemunharem a revolta dos humanos, comandados pelo charmoso capitão Derek Shackleton, contra os autônomos, devolvendo-lhes um mundo que havia sido tomado pelas máquinas.
Por mais que o leitor no correr do livro possa desconfiar da possibilidade real de viajar no tempo, o autor conduz o enredo de forma tão firme e convincente que não é possível largar o livro. Como ocorre em todo bom romance, ainda mais envolvendo ficção científica, a trama é apimentada por inúmeras reviravoltas e desdobramentos por diversas vezes imprevisíveis.
Outro detalhe importante do livro é que o leitor não consegue descobrir (somente no final da leitura), qual é o personagem principal do enredo: o apaixonado Andrew Harrington, a deslumbrada Claire Haggerty, o visionário e ambicioso Gillian Murray ou o próprio H. G. Wells?
O autor, por sua vez, narra a trama de forma despretenciosa e divertida, como se estivesse vendo os acontecimentos em todas as suas épocas e acompanhando todos os personagens.
Em um cuidadoso e inteligente trabalho, Palma cria soluções para todos os problemas que são apresentados na trama, sendo o final surpreendente. Através de seu O Mapa do Tempo, ele nos leva a refletir sobre os riscos e consequências da possibilidade de viajarmos ao passado e darmos uma olhadinha no futuro. Quem resistiria a não modificar o que fez de errado ou mudar o presente para ter um futuro diferente daquele previamente visitado? Ainda bem que isso não é possível e nunca será! Cada um que viva a sua vida e cuide do hoje para ter um excelente amanhã.
O livro é espetacular. Dentre os lançados no Brasil, está entre os melhores de 2010.

domingo, 22 de maio de 2011

Viva intensamente!!!

v

Ter ou não ter namorado, eis a questão

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil.

Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.

Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.

Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.

Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.

Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.

Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido. 

Arthur da Távola

Eterno (Carlos Drummond de Andrade)

E como ficou chato ser moderno.
Agora serei eterno.

Eterno! Eterno!
O Padre Eterno,
a vida eterna,
o fogo eterno.

(Le silence éternel de ces espaces infinis m'effraie.)

— O que é eterno, Yayá Lindinha?
— Ingrato! é o amor que te tenho.

Eternalidade eternite eternaltivamente
eternuávamos
eternissíssimo

A cada instante se criam novas categorias do eterno.

Eterna é a flor que se fana
se soube florir
é o menino recém-nascido
antes que lhe dêem nome e lhe comuniquem o sentimento do efêmero
é o gesto de enlaçar e beijar
na visita do amor às almas
eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo
mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força o resgata
é minha mãe em mim que a estou pensando
de tanto que a perdi de não pensá-la
é o que se pensa em nós se estamos loucos
é tudo que passou, porque passou
é tudo que não passa, pois não houve
eternas as palavras, eternos os pensamentos; e passageiras as obras.
Eterno, mas até quando? é esse marulho em nós de um
[mar profundo.
Naufragamos sem praia; e na solidão dos botos afundamos.
É tentação a vertigem; e também a pirueta dos ébrios.
Eternos! Eternos, miseravelmente.
O relógio no pulso é nosso confidente.

Mas eu não quero ser senão eterno.
Que os séculos apodreçam e não reste mais do que uma essência ou nem isso.
E que eu desapareça mas fique este chão varrido onde pousou uma sombra
e que não fique o chão nem fique a sombra
mas que a precisão urgente de ser eterno bóie como uma esponja no caos
e entre oceanos de nada
gere um ritmo.

Música do dia: Oração ao Tempo

ORAÇÃO AO TEMPO
(Caetano Veloso)

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo, tempo, tempo, tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo, tempo, tempo, tempo...
Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Entro num acordo contigo
Tempo, tempo, tempo, tempo...
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo, tempo, tempo, tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo, tempo, tempo, tempo...
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo, tempo, tempo, tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo, tempo, tempo, tempo...
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo, tempo, tempo, tempo
Quando o tempo for propício
Tempo, tempo, tempo, tempo...
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo, tempo, tempo, tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo, tempo, tempo, tempo...
O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo, tempo, tempo, tempo...
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Não serei nem terás sido
Tempo, tempo, tempo, tempo...
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo, tempo, tempo, tempo...
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo, tempo, tempo, tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo, tempo, tempo, tempo...

Previsões

 
A previsão do fim do mundo no dia 21 de maio de 2011 foi um dos assuntos mais falados nessa semana. Inclusive no twitter, a tag #fimdomundo é uma das mais comentadas. O assunto é levado com humor pela maioria dos brasileiros que usam a rede social para se comunicar com as outras pessoas e dividir opiniões. 
O fatídico dia chegou e passou como simplesmente mais um entre tantos, ainda bem, sem catástrofes globais avassaladoras... 
Profecias sobre o fim dos tempos já existiram muitas e ainda hão de existir outras mais...

E por falar em profecias e previsões...lembrei de uma fábula, de autor desconhecido, que escreveu certa vez que a alegria, a tristeza, a vaidade, a sabedoria, o amor e outros sentimentos habitavam uma pequena ilha. E que havia uma previsão de que essa ilha seria inundada.
Preocupado, o amor cuidou para que todos os outros se salvassem, falando: 
- Fujam todos, a ilha vai ser inundada!
Todos se apressaram a pegar seu barquinho para se abrigar em um morro bem alto, no continente. Só o amor não teve pressa. Quando percebeu que ia se afogar, correu a pedir ajuda. 
Para a riqueza apavorada, ele pediu: 
- Riqueza, leve-me com você.
Ao que ela respondeu: 
-Não posso, meu barco está cheio de ouro e prata e não tem lugar para você.
Passou então a vaidade e ele disse: 
- Dona Vaidade, leve-me com você...
- Sinto muito, mas você vai sujar meu barco. Respodeu ela.
Em seguida, veio a tristeza e o amor suplicou:
- Senhora Tristeza, posso ir com você?
- Amor, estou tão triste que prefiro ir sozinha. Ela disse, já partindo.
Passou a alegria, mas se encontrava tão alegre que nem ouviu o amor chamar por ela.
Então passou um barquinho, onde remava um senhor idoso, e ele disse:
- Sobe, amor, que eu te levo.
O amor ficou tão feliz, que até se esqueceu de perguntar o nome do velhinho.
Chegando ao morro alto, onde já estavam os outros sentimentos, ele perguntou à sabedoria:
- Dona Sabedoria, quem era o senhor que me amparou? 
Ela respondeu: 
- O tempo.
- O tempo? Mas por que ele me trouxe aqui? 
- Porque só o tempo é capaz de ajudar e entender um grande amor.

***
Dentre todos os dons que a Divindade concede ao homem, o tempo tem lugar especial. É ele que acalma as paixões indevidas, ensinando que tudo tem sua hora e local certos.
É ele que cicatriza as feridas das profundas dores, colocando o algodão anestesiante nas chagas abertas.
É o tempo que nos permite amadurecer, através do exercício sadio da reflexão, adquirindo ponderação e bom senso.
É o tempo que desenha marcas nas faces, espalha neve nos cabelos, leciona calma e paciência, quando o passo já se faz mais lento.
É o tempo que confirma as grandes verdades e destrói as falsidades, os valores ilusórios.
O tempo é, enfim, um grande mestre, que ensina sem pressa, aguarda um tanto mais e espera que cada um a sua vez, se disponha a crescer, servir e ser feliz.
E é o tempo, em verdade, que nos demonstra, no correr dos anos, que o verdadeiro amor supera a idade, a doença, a dificuldade, e permanece conosco para sempre.

Frase do dia

"Para que tanta pressa e tanto receio? O futuro sempre nos chega a uma velocidade de 60 minutos por hora."
Albert Einstein

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O tempo é cruel!

Ah...o tempo...ele é cruel, e como! Vejam só como ele pode ser implacável:

Val Kilmer (aff maria..)
Mickey Rourke (deveria se chamar >>> Myke Horror) 
Brendan Fraser (ai que meda....)

Russel Crowe (nãoooooooooooooooooo..!!!) 
  

Alec Baldwin (diz que é tudo montagem, pleaseeeee) 

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Richard Gere ( depois dessa... só tomando prozac)


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Roger Moore (isolaaaa na madeiraaaa... e corre!!!)


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Arnold Schwarzenegger (repare no KING KONG desenhado na pança, oopsss digo, barriga.. AIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII)


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Pierce Brosnan (sem palavras.. estou deprimidaaaaaaaaaaa)...

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Clint Eastwood (chegaaaaaaaaaa de torturaaaaaaaaaaaaa)

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Rod Stewart ( ESSA É PAKABÁ)... ai ai ai...
 
      

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Caricaturas

Confira o trabalho do  ilustrador Jason SeilerEle tem a fama de capturar o espírito e o caráter das celebridades em suas impressionantes caricaturas, de forma que pareçam bem humorados e engraçados. Seus desenhos são tão bem feitos que parecem fotos retocadas por um programa de edição digital (se é que não são).

Se você gosta de caricaturas, mas não sabe nem como começar a usar o "Fotochop", poderia experimentar um programa que permite brincar com suas fotos e fazer caricaturas bem legais: seu nome é Cartoonist, um programinha open source que transforma qualquer imagem em caricatura de maneira simplificada, em minutos. Se fizer alguma manda aí para a gente postar.











Equação Simples



Tá, não é tão simples assim… =P

Ilusões

Como venho falando bastante sobre abstrações e o efeito ilusório do tempo, apreveitei para reunir algumas imagens também ilusórias.

Diga as cores do texto e não o que está escrito.
Amarelo
Verde
Vermelho
Azul
Preto
Rosa
Laranja
Marrom
Cinza
Roxo
Branco
Vermelho


As duas linhas verticais tem o mesmo tamanho.



Quantas patas tem o elefante?


Ainda que não pareça, são duas linhas retas.


Sim, é um quadrado.


Todas as linhas são retas.


Muito Louco!



Muito Louco II!




Muito Louco III!


Muito Louco IV!



As figuras internas são a mesmas, no entanto de onde apareceu o quadrado branco?




Olhe fixamente para o ponto central e a sombra desaparecerá.



Acredita que os retângulos negros são do mesmo tamanho?


Apesar de ver a palavra LIFE, ela não está em lugar algum.




Quadro de Dali onde pode ver um grupo de pessoas ou o rosto de Voltaire.


Acredita que isto possa existir?


As duas linhas tem o mesmo tamanho.





Os dois monstrengos também tem o mesmo tamanho.


Nâo tem nada girando aqui.


Aqui também não.


Idem.