Além de grande artista, Fayga era uma educadora. Constantemente esteve dedicada à socialização do saber. Indo além da mera constatação de que a eternidade das obras e dos artistas não depende exclusivamente da preservação em museus, Fayga dedicou-se a falar, mostrar, escrever, discutir, ensinar. Já li alguns de seus livros e recomendo a leitura a todos que desejam lançar um novo olhar às expressões artísticas.
- Acasos e Criação Artística
Editora Campus, RJ, lançado em 1990, 312 páginas, 112 ilustrações.
Sinopse:
"Não existe criação artística sem acasos. Mas será que existem acasos na criação?" Partindo desta pergunta instigante, o presente livro apresenta um leque de questões interligadas a respeito dos processos criativos, entre outras: as potencialidades do indivíduo, a inspiração e o papel da intuição na percepção, a estrutura de formas, o crescimento e desenvolvimento de níveis de percepção nas crianças, a arte infantil, a expressividade da linguagem de computadores, a arte dos séculos XIX e XX. Ainda acompanhando a análise de estilos históricos e de artistas individuais, o texto também levanta perguntas tais como: por que tornou-se tão difícil para o público apreciar a arte produzida nos dias de hoje? Foi sempre assim? Existiriam critérios objetivos?
Escrito em linguagem clara e acessível, o livro permite que o leitor participe ativamente no debate sobre as questões artísticas fundamentais. E também aprofunda seu prazer diante da beleza da arte.
O texto é ilustrado por desenhos que exemplificam conceitos de percepção e de princípios estruturais, e por 112 reproduções (45 em cores) de obras de arte datando desde a Pré-história até a época atual. Em todas as obras, a análise da estrutura formal da imagem demonstra as correspondências que existem entre as formas visuais e seu conteúdo expressivo.
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- Universos da Arte
Editora Campus, RJ, lançado em 1983, 400 páginas, mais de 300 ilustrações.
Sinopse:
Didático, analítico e também contemplativo, este texto representa uma contribuição original para a compreensão da arte. Procedendo em vários níveis, a autora expõe os princípios fundamentais de composição ao mesmo tempo em que relata uma experiência fascinante: a de um curso teórico ministrado a operários de uma fábrica, transcrevendo diálogos e questionamentos que surgiram nas aulas. Além disso, numa visão global da arte como experiência de vida, ela examina os significados do trabalho artístico. Apresentando dados biográficos de artistas e uma análise crítica de suas obras (fartamente ilustradas) - e usando como critérios objetivos os próprios princípios da linguagem visual - ela mostra como nas obras se revela claramente o crescimento da personalidade do artista, sua figura humana. Através da leitura deste livro somos levados a entender o quanto a arte amplia nossa sensibilidade e nossa consciência.
Das mais de 300 ilustrações que acompanham o texto, 118 são desenhos que exemplificam os conceitos de composição e 188 reproduções (37 em cores) de obras datando desde a Pré-História até os dias de hoje. Todas as ilustrações são acompanhadas de análises da estrutura espacial da imagem, demonstrando as correspondências que existem entre essas estruturas e o seu conteúdo expressivo.
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- A Sensibilidade do Intelecto - Prêmio Literário Jabuti, 1999

Editora Campus , RJ, lançado em 1998, 328 páginas, 140 ilustrações.
Sinopse:
Sobre este livro, que ganhou o Prêmio Literário Jabuti, em 1999, Leandro Konder, escritor e filósofo, escreveu: "Neste livro Fayga Ostrower se debruça, com paciência, sobre alguns dos problemas mais complexos e mais importantes da estética. Evita, contudo, qualquer pernosticismo: discorre, em linguagem clara, acessível, sobre a beleza, a interdependência entre razão e sensibilidade, a relação tensa e fecunda entre forma e matéria. Examina com incansável atenção o modo inevitavelmente ativo e seletivo que os seres humanos têm de perceber a realidade, o contexto em que se encontram: antes da percepção, os sujeitos humanos já estão predispostos a interpretar as impressões que lhes chegam de acordo com certas conveniências vitais. A percepção, como ensinam os teóricos da Gestalt, é uma síntese. E não é 'neutra'. Fayga nos convida a refletir sobre o fato de estarmos sempre construindo e reconstruindo imagens globais em nossas mentes, num 'jogo' cujas regras estão constantemente mudando.
Fayga nos adverte que: os momentos em que conseguimos comunicar algo significativo sobre o nosso encontro com a 'beleza essencial' são momentos gloriosos. 'Sentimo-nos vivos, inteiramente vivos, e ainda participando de uma Humanidade Maior'".


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