domingo, 12 de junho de 2011

Especial Amor - Ciência Parte 2

Paixão
O impacto do início de um relacionamento causa a liberação de várias substâncias, principalmente de dopamina – relacionada à sensação de bem-estar e às dependências químicas. Isso quer dizer que a paixão ativa o sistema de recompensa do cérebro da mesma forma que a cocaína ou a jogatina.
O corpo encara esse turbilhão de sensações como um estresse positivo, mas não se sabe por quanto tempo: alguns estudos sugerem que essa fase dura no máximo seis meses. Outros, que pode chegar a quatro anos.
O certo é que, quando nos sentimos apaixonadas (e isso inclui toda aquela euforia e empolgação que conhecemos bem), uma série de aspectos fisiológicos melhora, como se o corpo quisesse aproveitar tudo intensamente. Nessa fase, nós ouvimos melhor, sentimos os odores com mais precisão e enxergamos as cores mais vivas.
Um dos trabalhos mais recentes, divulgado no final de 2010, mostrou que a paixão pode até reduzir a sensação de dor. Pesquisadores da Universidade Stanford, nos EUA, avaliaram 15 estudantes que viviam namoros de até nove meses. Atestaram que essa primeira fase do amor ativa a mesma área do cérebro acionada por analgésicos. E os voluntários realmente relataram menos dor quando olhavam fotos de seus amados. 
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Amor
Quem tem uma relação amorosa estável é mais resistente a doenças infecciosas, tem menos gripes e apresenta menos doenças endócrinas (como diabetes). Um estudo do Departamento Nacional de Estatísticas do Reino Unido apontou que homens solteiros de até 35 anos têm risco de morte 50% maior que os casados e que as solteiras têm mais doenças crônicas. “É como se o cérebro pensasse: ‘Vou liberar serotonina e dopamina em doses bem direcionadas e viver o máximo possível com quem amo’”, diz Monezi.
Um trabalho sueco publicado no British Medical Journal em 2009 avaliou quase 1.500 pessoas por 21 anos e mostrou que casais em uma relação estável são menos vulneráveis a um declínio cognitivo que pode levar à doença de Alzheimer.
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Separação
Um estudo amplamente divulgado em abril provou que se sentir rejeitado pelo parceiro ativa a mesma região do cérebro responsável pela sensação de dor física. Pesquisadores da Universidade Columbia, nos EUA, recrutaram 40 voluntários que haviam se separado no semestre anterior. Enquanto eles viam fotos de seus ex, aparelhos de ressonância magnética captavam imagens do cérebro deles. Depois, foi registrada a atividade cerebral enquanto seguravam uma xícara de café quentíssimo.
“Relações sociais são vitais para a sobrevivência. Quando uma termina, a dor pode funcionar como um alerta”, disse Ethan Kross, um dos autores do estudo. O trabalho, diz, também elucida por que idosos que foram casados por muitos anos relatam incômodos físicos após perder o parceiro.
Outra pesquisa americana, publicada em 2010 no Journal of Neurophysiology, mostrou que a dor da separação também aciona a região do cérebro ligada às dependências, podendo causar fissura como as drogas ou o cigarro. 
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Solidão
Nesse aspecto, a percepção subjetiva é mais importante. Viver sozinho não é ruim quando é uma opção. Mas não encontrar um companheiro e sempre pensar nisso com tristeza é danoso. A Organização Mundial da Saúde considera a solidão um fator independente de risco para agravamento de doenças. Pessoas sozinhas são mais propensas a ter problemas cardiovasculares e endócrinos, e alguns dados mostram que até a evolução do câncer é pior nessa parcela da população.
Um grupo de pesquisadores da Universidade de Chicago, nos EUA, avalia há vários anos os efeitos da solidão no organismo e já constatou que os solitários têm genes relacionados a inflamações mais ativos e menor resposta imunológica a viroses. “Quem tem companhia desenvolve a percepção de parceria, quer estar bem e junto o tempo todo”, afirma Monezi.
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Os males do amor platônico
“Trabalhamos com a hipótese de que os autores do Romantismo (movimento literário do século 19) morriam frequentemente de tuberculose não só porque a doença era comum mas também por causa do estado fisiológico em que viviam”, diz Monezi. “A tristeza diante da vida e das mulheres inatingíveis favorecia a liberação de cortisol e adrenalina, o que debilitava ainda mais um organismo já vulnerável pelas noites de boêmia e bebedeira.”
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Ciúme
Entre nossos sentimentos mais primitivos está o de territorialidade. O ciúme faz parte desse grupo e é o mais clássico deles. Em pequenas doses, é até saudável, já que deixa o casal atento à relação. Mas, quando ultrapassa o limite do bom-senso, pode causar transtornos psiquiátricos.
A psicóloga Andrea Lorena da Costa avaliou em sua tese de mestrado (defendida no fim de 2010, na USP) 96 pessoas divididas em três grupos: saudáveis, com ciúme excessivo e que sofriam de amor patológico. Costa, que trabalha no Ambulatório dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, constatou que os muito ciumentos apresentavam índices mais altos de depressão e agressividade. “São pessoas mais melancólicas. O ciúme traz um prejuízo nas relações, isso as deixa mal.”
Outros estudos apontam aumento de pressão arterial e problemas cardiovasculares a longo prazo, pela descarga crônica de adrenalina. Há ainda o risco de fobia social: por não suportar o ciúme, o cérebro cria aversão ao convívio com outras pessoas. 
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Sexo
Um dos mais extensos estudos já realizados sobre o efeito do sexo na saúde foi feito pela Queen´s University em Belfast, na Irlanda do Norte, com mil pessoas. A primeira fase, concluída em 1997, mostrou que quem tinha cem orgasmos por ano apresentou 36% menos chances de morrer do que quem não havia tido nenhum. Outros resultados dessa mesma pesquisa foram divulgados em 2001: transar três vezes por semana reduziria os casos de hipertensão arterial e derrubaria pela metade o risco de infarto ou de derrame. Isso porque a relação sexual frequente funciona como um exercício aeróbico: os batimentos cardíacos passam de 70 para 150 por minuto, e o corpo gasta até 200 calorias.
O sistema imune também melhora: outros estudos mostram que transar ao menos uma vez por semana eleva em 30% o nível de imunoglobulina A, um anticorpo relacionado às defesas do corpo contra gripes e resfriados. Há ainda a liberação da ocitocina, hormônio que aumenta os sentimentos de vínculo entre o casal e provoca relaxamento – o que faz com que o casal durma melhor.


Disponível em: http://revistacriativa.globo.com

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