Vinicius de Moraes aconselhou seus leitores a amar, “porque nada melhor para a saúde do que amor correspondido”. Provavelmente o poeta não procurou nenhum dado acadêmico para afirmar isso, mas a recomendação tem embasamento científico: de fato, as emoções fazem com que o cérebro libere substâncias que afetam o funcionamento do corpo, o que pode trazer benefícios ou problemas físicos. “Quem ri e sente mais prazer tem melhor oxigenação do cérebro, o que ajuda na manutenção do tecido nervoso”, exemplifica Silvia Mitiko Nishida, biomédica e professora de neurofisiologia do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP).
Todos os sentimentos esbarram em nossos instintos de sobrevivência mais primitivos. O corpo é “programado” para se preservar e para buscar o prazer e defender-se do que faz mal. Nesse processo, a liberação de neurotransmissores é fundamental. “A diferença está na dose”, afirma o psicobiólogo Ricardo Monezi, especialista em medicina comportamental e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Quando o momento é bom, serotonina, dopamina e algumas endorfinas tratam de prolongar o prazer. Esses neurotransmissores estimulam a liberação, em doses equilibradas, de cortisol e adrenalina, hormônios que melhoram o sistema imune e os órgãos relacionados aos sentidos. Mas se a experiência é dolorosa, cortisol e adrenalina são jogados na corrente sanguínea em altas doses, preparando o corpo para o perigo. Com a exposição crônica e elevada a esses hormônios, há uma queda nas defesas do organismo e um aumento do risco de a pessoa desenvolver doenças metabólicas, como hipertensão.
Disponível em: http://revistacriativa.globo.com

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