NOTA IMPORTANTE: CONTÉM SPOILER
(se você ainda não assistiu ao filme, melhor não ler o post)
Recomendo esse filme a todas as pessoas, mas principalmente àquelas que estão no caminho do auto conhecimento.
Assistam com os olhos da alma, com um olhar mais profundo, que vai além do óbvio.
E aos que pensam se tratar de apenas um filme sobre balé, advirto: a mensagem é completamente outra.
Mas o que mais me chamou atenção não foi o Tipo dos personagens, mas a mensagem, o padrão mental que é expresso com maestria pela atriz, o resultado foi a premiação com o Oscar de melhor atriz.
Através de uma interpretação muito pessoal vou tentar passar o que compreendi desse filme.
O grande desafio de acolher a sombra através do outro.
Cisne Branco: a máscara da busca pela perfeição, o medo de errar, a autopunição, o lado reprimido do ser, o controle da raiva escondida e inconsciente, desejos abafados pelos julgamentos de certo e errado, o grito calado, a negação.
Cisne Negro: a sombra, o lado negro ocultado por uma meiguice ímpar, a perversidade, a loucura, o diálogo interno, os desejos mais profundos, os segredos de luxúria, a vontade de expressar tudo que não é permitido pelo Super Ego.
A personagem vive uma luta interna, uma dualidade entre aceitar e acolher sua sombra contra toda uma educação baseada na repressão vinda por parte da mãe.
O lado meigo, delicado e doce, contra o medo de parecer uma pessoa ruim, incompatível ao mundo em que vive.
No meu entendimento, com exceção do início do filme, todo o resto passa-se na mente de Nina, um padrão mental que reflete todos os demônios internos, todas as cenas foram vividas em sua mente.
Coreógrafo: Instiga, provoca, tenta, seduz, mexe com os desejos mais íntimos de uma mulher reprimida, com o intuito de ajudá-la a se desbravar, a se conhecer, a se aceitar como uma mulher completa, inteira e livre. A força do masculino conduzindo, abrindo caminhos para a expressão da energia sexual, o instinto dançando livremente através de um corpo aparentemente frágil.
Amiga: Sua sombra, seu espelho. Tudo que a personagem nega em si mesma.
A liberdade que ela gostaria de ter e ser, a expressão dos desejos ocultos, a coragem, o outro lado da moeda, o seu inconsciente que fere, causa insegurança, ciúmes, competição, comparação, a luxúria, a vaidade, a paixão, a força sexual, a quebra de padrões, a alegria, uma alma livre de preconceitos e julgamentos.
Os conflitos e ao mesmo tempo a identificação com a amiga, a dificuldade de ver em si mesma tudo que a incomodava na outra. Uma mistura de amor e ódio, repulsa e desejo.
Depois de ter vivido intensamente na sua imaginação todos os conflitos da sua sombra refletida através da amiga, Nina consegue quebrar a projeção, o espelho.
Aceitação: Na cena onde ela quebra o espelho e supostamente mata a amiga, ela está matando sua negação, acolhendo o que é seu, reconhecendo em si tudo o que a amiga representa.
No mesmo instante em que quebra o espelho, Nina abraça seu lado escuro, aceitando, acolhendo e tornando-se inteira. Incorpora o cisne negro dentro de si com tudo que lhe pertence.
A raiva se transforma em força, o ciúme em segurança, a alma se torna livre para dançar e expressar em sua plenitude o Ser que se torna Um. Verdadeiramente livre.
Final: Quando no espetáculo da morte do cisne branco, Nina se mata com um pedaço de espelho; na verdade, ela está representando a morte do Ego, a sua libertação. Ela sorri e diz EU SENTI!
Sim, porque só através do centro emocional, da aceitação, da vivência, do acolhimento, do reconhecimento dos nossos demônios internos, dos nossos padrões, conseguimos nos tornar inteiros, Unos.

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