segunda-feira, 4 de abril de 2011

ACROSS THE UNIVERSE


Sabe quando alguém te diz algo tão óbvio que seu primeiro pensamento é “como ninguém pensou nisso antes?” Esse é o pensamento que deve pairar sobre a cabeça de muita gente depois de assistir a esse filme, que se trata nada mais nada menos de um musical com músicas (só) dos Beatles.
O filme começa em Liverpool, local onde a banda se formou, nos anos 60, com Jude decidindo fazer uma viagem para os EUA. Apesar de não contar para sua mãe, ele quer, na verdade, conhecer seu pai, e na busca por ele conhece Max, com quem forma uma forte amizade e se muda com ele para NY. É lá onde Jude se apaixona pela irmã de Max, Lucy. Se juntam ainda ao grupo a senhoria e cantora Sadie (forte referência à Janis Joplis), a perdida Prudence e o guitarrista, que lembra Jimmy Hendrix, conhecido com Jo-jo.
Quem não viveu nessa década não precisa se preocupar, pois a diretora situa todo o cenário: Guerra do Vietnã, a morte de Luther King e por aí vai. Até mesmo uma viagem ao mundo lisérgico à bordo do Magic Bus do Dr. Robert. E o melhor é que a história do filme não é datada, ela poderia muito bem estar acontecendo hoje ou em qualquer outra década.
Isso não quer dizer que a diretora Julie Taymor se preocupe em contar uma história complexa com longos diálogos. Pelo contrário, quase tudo acontece para que haja uma música dos Beatles. Algumas vezes com o arranjo familiar e outras totalmente alterado. Julie se aproveita disso para criar um filme com cenas impressionantes. Prudence, por exemplo, é dramaticamente descartável, mas protagoniza duas delas: primeiro ela dá um tom totalmente triste (e tocante) a I Wanna Hold Your Hand (que na versão original é bem alegre) e depois com a música de seu próprio nome, Dear, PrudenceOutra interpretação marcante foi a de “Strawberry Fields”, que ganha contornos políticos ao transformar os morangos em símbolos sangrentos da violência da guerra. Da mesma forma, a sequência que traz “I Want You” surge como uma das melhores do filme ao trazer Tio Sam alistando jovens que são entregues a um exército de robôs e enviados contra a vontade (em uma esteira!) para o Vietnã, quando surgem carregando a Estátua da Liberdade enquanto destroem o país com suas botas gigantes e cantam o verso “she’s so heavy!” – uma imagem que, por si só, vale todo o longa. Além dessas cenas, a imagem de um garoto cantando em meio a um tiroteio escondido atrás de um carro em chamas enquanto canta Let It Be é inesquecível.
Outra grande escolha da diretora foi no ritmo do filme. O filme segue da mesma forma que a carreira da banda inglesa. A primeira parte ingênua com músicas (em sua maior parte) animadas e fáceis; na segunda parte, é a parte mais viagem, com o mergulho no mundo das drogas e o sucesso subindo a cabeça; se torna mais profundo, sério e engajado quando Max vai pra guerra até o fechamento do filme.
Para os fãs da banda isso tudo é um prato cheio. Reconhecer as fases da banda, os nomes das personagens nas músicas e grande nomes cantando as músicas (fora os atores, há a presença de Joe Cocker e Bono, por exemplo). Em um determinado momento, o filme perde seu ritmo. Em parte por causa da escolha de apresentarem as músicas integralmente. Nada que estrague o filme, principalmente contando com um final ao som de All You Need is Love no telhado (uma referência a uma apresentação que a banda fez em um telhado da Apple sem cobrar ingressos).

Resumo: um filme poético, performático e E.S.P.E.T.A.C.U.L.A.R!!!

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